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200 anos da Revolução que mudou o Brasil

– Texto I (06 de março de 2017) Antonio Gomes Barbosa é sociólogo e escreve sobre o Semiárido brasileiro.
Se neste ano de 2017 o mundo inteiro celebra os 100 anos da grande Revolução Russa, aqui no Brasil, 100 anos antes, tivemos a Revolução Pernambucana, iniciada em 06 de março de 1817, se estendeu até 19 de maio do mesmo ano. Foram 75 dias que mudariam, de uma vez por todas, a relação Brasil/Portugal. Muito dos valores e das crenças que temos, tiveram raízes nesta experiência. Muito das formas de fazer política e administrar a coisa pública, para o bem ou para o mal, também remonta este período. A Revolução Pernambucana foi a primeira experiência de uma nação republicana em território brasileiro, 72 anos antes da proclamação da República em 1889. A Revolução Pernambucana de 1817, apesar de ter este nome, não se resumiu ao território pernambucano, estendeu-se pelas províncias da Paraíba, Rio Grande, Ceará, Alagoas e Bahia, ou seja, poderia muito bem ser chamada de Revolução Nordestina.…
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Debate no Senado sobre crise hídrica

A crise hídrica é intensa, mas afeta mais alguns grupos, afirma Antônio Gomes Barbosa

DEBATENDO O SEMIÁRIDO II - Seca de 1991 à 1993. A ocupação da SUDENE como marco na vida dos povos do Semiárido.

“O problema do Nordeste não é a falta de chuva, mas, o sub-aproveitamento, da água, dos 700 bilhões de metros cúbicos que caem por ano, 92% se perdem porque não há reservatórios para captá-los e também pela ação normal da evaporação,”
Revista Veja de 24 de março de 1993 Antonio Gomes Barbosa é sociólogo e coordena o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação Semiárido (ASA). Aproveito a repercussão positiva do relatório da ONU sobre a diminuição da fome no Brasil em mais de 50% para socializar o segundo artigo desta série: Debatendo o Semiárido. Neste, discutimos os efeitos da seca de 1991 à 1993, possivelmente a última grande seca em termos de impactos tão negativos na vida das pessoas que aqui viviam. A partir desta, o que se viu, foi um forte movimento da sociedade no intuito de não mais permitir tamanhas tragédias. Um nível de organização invejável em todo o mundo. Um povo que resolveu tomar a direção do rumo de sua vida. A gênese do Programa de Convivência com o Semiárido…

DEBATENDO O SEMIÁRIDO I - De 1979 à 1983 - “O Genocídio do Nordeste”.

Antonio Gomes Barbosa é sociólogo e coordenador do Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido: Uma Terra e Duas Águas (P1+2) da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) Começo aqui uma série de pequenos artigos que socializo especialmente neste espaço. Pelo limite do tamanho, são provocações e reflexõesque necessitam aprofundamento. Hoje, números e informações sobre uma das maiores e mais perversas secas acontecidas recentemente no Nordeste. Numa perspectiva de cadencia, a intenção é fazer uma leitura das ações, ou não ações, do Estado brasileiro. O parâmetro da análise será a relação das secas e seus efeitos no Semiárido e a criação do Programa Nacional de Cisternas acontecido ano passado. De 1979 à 1983 - “O Genocídio do Nordeste”. A criação do Programa Nacional de Apoio à Captação de Água de Chuva e Outras Tecnologias Sociais de Acesso à Água - “Programa Cisternas”, de iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), regulamenta…

A convivência com o Semiárido como condição Sine qua non para a produção sustentável de alimentos na região. Realidade, desafios e perspectivas

Antonio Gomes Barbosa[1] Naidison de Quintella Baptista[2] I - O Semiárido, seu território e o combate à seca. O Semiárido brasileiro tem área de 982.566 Km², isso representa 18,2% do território nacional e 53% da região Nordeste, sendo: 93,4% do estado do Rio Grande do Norte, 86,8% do  Ceará, 86,6% da Paraíba, 88,0% do Pernambuco, 69,7% do território da Bahia, 59,9% do Piauí, 50,9% do Sergipe, 45,6% de Alagoas, além de 17,7% do Norte de Minas Gerais[i]. São 1.135 municípios, 20,41% do municípios do país. Sua população é de 22.598.318 habitantes, 11,84% da população brasileira, sendo 14.003.118 nas áreas urbanas e 8.592.200 nas áreas rurais, o que representa 28,82% de toda população rural do país. Em estabelecimentos rurais, são mais de um milhão e setecentos mil (33% em relação ao total no país), 1,5 milhão de agricultura familiar.  (IBGE, Censo Demográfico). Rico em biodiversidade, o Semiárido, que alguns preferem denominar de “sertão”, para diferi-lo do litoral, apresenta, de acordo com…